sexta-feira, dezembro 09, 2005

O Papai Noel, o Mico-Leão e o boneco de neve (ou A Invasão dos Micos)


Ahhh... o Natal! O Natal deixa a cidade mais bonita. A decoração especial espalha luzinhas por todos os lados. Eu pensava assim, até este ano... porque este ano o Natal em Manaus está muito louco.

Dirigia meu carrinho num daqueles engarrafamentos irritantes, entre 6 e 7 da noite, quando meus olhos cansados sobressaltaram-se ao esbarrar em grotescos arranjos luminosos afixados nos postes de iluminação pública. Um Papai Noel que de tão feio assusta até adulto (Há quem jure que ele não é o Papai Noel!), dividindo espaço com um Mico-Leão-de-Manaus que me encarava fixamente com um olhar provocador, parecendo tripudiar de mim... (Estou convencida de que ele é sabedor da decepção que experimentei este ano pelas circunstâncias políticas odiosas que atravessamos e tripudia da minha frustração.)

Hoje, ao descer a rua deparei-me com uma visão estapafúrdia. Centenas de micos ocupavam todos os postes dos dois lados da avenida onde moro. Na TV, alguém da administração municipal falou em defesa de uma decoração regionalizada, comprometida com nossa identidade amazonense. Não me convenceu. Se a idéia original era boa, foi muito, muito mal desenvolvida. Milhares de micos invadindo a cidade bem no Natal, e sem nenhum tratamento estético. A despeito de amarmos os micos, e termos orgulho de nossas raízes... francamente, senhores, MICOS NO NATAL?! Onde foram os sinos, os anjos, as estrelas e presépios? Além disso, a decoração é pobre, restrita a áreas isoladas da cidade(como sempre), e causa irritação pela feiúra. É muito feia.

Os prédios particulares fazem a sua parte. E outra vez falta bom senso. Em vários pontos da cidade, saúdam-nos enormes bonecos de neve infláveis segurando placas que dizem: “Happy Hollidays”. Francamente, “HAPPY HOLLIDAYS”?! Onde está o brasileiro “Feliz Natal”?! Numa escola, em outro endereço nobre, uma linda família de bonecos de neve expôe-se arrogantemente às fortes chuvas do início do inverno e ao sol castigante dos trópicos que sempre aparece. Um Shopping da cidade optou por árvores de Natal branquinhas... cobertas de neve,... Neve?! Nos trópicos?! No meio da Floresta Amazônica?! Quantas de nossas crianças já experimentaram a neve? 0,01%?!

É... Parece que estamos realmente confusos. Será que a febre das sucessivas epidemias de dengue mexeram com nossos neurônios, gerando toda essa crise de identidade? Quem somos? Onde estamos? O que é o Natal?

terça-feira, novembro 29, 2005

Flagelo

A falta de educação deforma a alma e embrutece o ser.
Atrofia as capacidades mentais e intelectuais.
Torna embaçada a percepção do mundo.
A saúde, comunicação, o gosto pelas artes... tudo fica prejudicado.
E não me venha com essa conversa “boba” de respeito à cultura das massas.
As massas precisam de assenção financeira, cultural e política capazes de oportunizar os saberes necessários ao alcance da autonomia que deve ser própria de todo ser humano.

sábado, outubro 29, 2005

Manaus, 336 anos.

Essa semana Manaus completou 336 anos. Muitos foram os festejos para marcar a data. A cidade cresce aceleradamente. Cresce, mas continua provinciana em muitos aspectos. Um deles: a falta de mão de obra especializada... pra tudo, quase tudo.

O comércio de serviços, mais especificamente sofre as consequências dessa trágica realidade. Costureiras que não sabem costurar. Cabelereiros que não sabem cortar cabelos. Manicures que não sabem fazer unhas, e nem mesmo têm noçoes de higiene. Cantinas italianas que não sabem fazer massa. E assim por diante... Poderíamos listar centenas de dezenas de atividades muito mal desempenhadas. É ineficiente, é irritante e acaba saindo caro.

Buscando compreender as razões do quadro que se apresenta, encontramos uma Educação Básica pública de baixíssima qualidade somada à falta de formação continuada. As escolas em sua grande maioria funcionam em prédio alugados, sem infra-estrutura, e com horários reduzidos devido ao turno intermediário. Por sua vez, o mercado dos cursos de formação técnica e continuada, à exceção do SENAC, é dominado por instituições irregulares, operando em condições precárias, verdadeiras fraudes. Podemos ainda acrescentar a distância em relação a outros centros de formação, o que reduz, e por vezes aniquila, as possibilidades de intercâmbio de experiências. Apesar de tudo, o manaura batalha pra sobreviver, e trabalha duro, como sabe, do jeito que pode.

Feliz aniversário, Manaus. Dias melhores ao teu povo!

sábado, outubro 22, 2005

Esquizofrenia Moderna


Sexta à noite, mudando de canal, encontrei, na TV Cultura, uma entrevista com o psicoterapeuta Flávio Gikovate no programa Conexão Roberto D’Avila. Entre outras coisas, gostei do que ele disse a respeito da obesidade relacionada aos nossos padrões de beleza.

A sociedade é, mesmo, meio esquizofrênica. Criamos todos os mecanismos para reduzir o nosso esforço físico a zero. Se não bastasse a TV, não precisamos mais nos mexer do lugar nem para trocar o canal, usamos o controle remoto. Não bastasse o carro, que nos poupa o esforço de caminhar, não precisamos mais nos movimentar para baixar o vidro, basta um toque num botão, e uma série de outras coisas... Aí, dizemos que quem está acima do peso não vale nada! E nesse contexto só uma minoria vai conseguir manter-se esquálida, segundo os padrões impostos. A maioria fica entregue ao sofrimento.

E quando perguntado: “ – A Depressão é uma doença?” Ele respondeu: “A depressão é uma encrenca. (...) É impossível não sentir-se deprimido num mundo onde todo mundo tem que ser bonito, rico e feliz.”

Sexta que vem a entrevista continua, sobre outros temas... Vale à pena. Não é pra concordar com tudo, mas pra pensar um pouco.

Tem coisa boa na Cultura. Sábado à noite tem Senta Que Lá Vem Comédia.

Chato é o horário de verão.

quarta-feira, outubro 19, 2005

Referendo (Parte II)


O primeiro referendo da história do país representa um avanço na democracia brasileira, na medida em que a população se pronunciará diretamente sobre o tema em questão. Esse momento de expressão e afirmação da vontade popular é importante no processo de ampliação da democracia direta, com mais participação do povo, que hoje se encontra no papel de coadjuvante num cenário político dominado por seus representantes, os quais por sua vez, distanciados do povo, esmeram-se na defesa de interesses próprios, alheios à vontade popular.

O referendo tem sua importância, sim, mas não para a causa da redução da violência no país. No Brasil, a violência urbana é um fenômeno com raízes históricas na dramática desigualdade social alimentada pela péssima distribuição de renda, somada à corrupção, e à precariedade na Educação, juntos, esses elementos têem se mostrado mais do que suficientes para formar o caldo de cultura ideal para a proliferação do crime e da barbárie.

Assistindo às campanhas desenvolvidas pelas frentes parlamentares do SIM e do NÃO, observamos facilmente a repetição dos mesmos erros cometidos nas campanhas eleitorais. Muito marketing, muito efeito, muita intriga e pouco argumento, pouca informação. Os artifícios empregados pelo “pessoal do não” e pelo “pessoal do sim” desviam a atenção de um debate sério e esclarecedor a cerca dos prós e contras da proibição ou não do comércio de armas e munição e seus reflexos no cotidiano da população.

Naturalmente que o bom senso nos leva à opção pelo sim, pela proibição ao comércio de armas e munição no Brasil, mais benéfica, pela possibilidade de poupar algumas vidas.

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. Estatuto do Desarmamento. Disponível em: <http://www.mj.gov.br/seguranca/desarmamento.htm> Acesso: 12 de outubro de 2005.

ATHAYDE, Phydia de. Bem longe do alvo. Carta Capital. Ano XII, n°364, p.26-30, 2005.

LOBO, Flávio. Mais povo na política. Carta Capital. Carta Capital. Ano XII, n°364, p.31-32, 2005.

Referendo (Parte I)

O referendo é uma ferramenta constitucional de exercício da soberania popular (CF, artigo 14, II), por meio da qual os cidadãos são consultados sobre uma lei já aprovada, decidindo se ratificam ou rejeitam a nova norma. Ele é convocado por meio de decreto, com a aprovação de, no mínimo, um terço dos membros da Câmara ou do Senado.

A Lei n° 10.826 de 22 de dezembro de 2003, conhecida como o Estatuto do Desarmamento, dispõe sobre registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição, sobre o Sistema Nacional de Armas – Sinarm, define crimes e dá outras providências.

A lei foi sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em 22 de dezembro de 2003, e publicada no Diário Oficial da União no dia 23 de dezembro de 2003, quando passou a viger em todo o território nacional.

O decreto que a regulamentou, n°5.123 de 01/07/2004, foi publicado no Diário Oficial da União no dia 02 de julho de 2004, começando a vigorar naquela data.

No dia 23 de outubro, os brasileiros terão de ir às urnas para se manifestar sobre um dos trinta e sete artigos da Lei, o artigo 35, que dispõe:

Art. 35. É proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional, salvo para as entidades previstas no art. 6o desta Lei.

§ 1o Este dispositivo, para entrar em vigor, dependerá de aprovação mediante referendo popular, a ser realizado em outubro de 2005.

§ 2o Em caso de aprovação do referendo popular, o disposto neste artigo entrará em vigor na data de publicação de seu resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Mais de 122 milhões de eleitores deverão responder "sim" ou "não" à pergunta: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?".

O referendo foi aprovado pela Câmara no dia 6 de julho deste ano, depois de tramitar no Congresso por mais de um ano.

Foram formadas duas frentes parlamentares para a campanha que antecede o referendo. A Frente Parlamentar Brasil Sem Armas, a favor da proibição do comércio de armas - presididia pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL) -, e a Frente Parlamentar Pró-Legítima Defesa, contrária à nova norma, presidida pelo deputado Alberto Fraga (PFL-DF). De 1º até 20 de outubro, as duas frentes terão direito a propaganda gratuita no rádio e na televisão. De acordo com resolução do TSE, cada uma pode usar 10 minutos diários no rádio e outros 10 minutos na TV, nos seguintes horários: das 7h às 7h10 e das 12h às 12h10 (no rádio); das 13h às 13h10 e das 20h30 às 20h40 (na televisão).

segunda-feira, agosto 01, 2005

Ser Não é Ter... Dinheiro

Se você é desse mundo, como eu também sou, já deve ter percebido que aqui somos levados a acreditar que o valor do Ser é calculado em função do dinheiro, dos bens, da aparência que cada um tem. O Consumismo apela para nós com a ilusão da satisfação, da valorização pessoal, da felicidade.

A tv, essa grande vitrine do capitalismo, tem um papel fundamental no processo de nos inculcar a crença no poder do dinheiro, e não poderia ser diferente, considerando que o consumo é base do sistema. A mansão, o carro do ano, o celular da hora, o jeans da moda, o corpo perfeito (a que preço!), as festas, os mimos... e sem prestar muita atenção acabamos quase todos convencidos de que é comprando (e muitas vezes nos endividando) que nos tornamos alguém de valor.

Mas, a despeito de tudo o que lutamos para ter, ou de todo o empenho para parecer que temos, as coisas que adquirimos são incapazes de nos dar satisfação, muito pelo contrário, sempre queremos mais, mesmo quando não precisamos.

O consumismo e a moda também são incapazes de nos acrecentar o sentimento de valor por nós mesmos. Ninguém se engane, ninguém é o que tem, agente é o que sente que é. Que idéia você faz de si mesmo? Que valor você acredita que tem?

Se você sente que não é lá grande coisa, acredite que Deus é pessoa que ama, entende e valoriza você. Decida-se a aprender mais sobre Ele. Afaste a ansiedade e deixe-se preencher pelo amor, pela paz e pela satisfação que só Ele pode dar.

O que vale à pena ter:

· Ter esperança em Deus.
· Ter paz, sossego, tranqüilidade pra viver a vida seja boa ou má aos nossos olhos.
· Ter família e participar dela, respeitando a individualidade de cada um.
· Ter amigos que se importam conosco, sem se importar se temos dinheiro ou não.
· Ter sensibilidade para olhar mais o outro.
· Ter ânimo para buscar fazer o que se quer fazer na vida.

quarta-feira, junho 22, 2005

Precisamos rejuvenescer

Você não sente nem vê,
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo,

Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era jovem novo
Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer.
...
...

No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais
No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais

Trechos de VELHA ROUPA COLORIDA de Belchior, sucesso nos anos 70.

terça-feira, junho 07, 2005

A Graça Inclusiva


Lendo os Evangelhos observamos que Jesus é uma figura fantástica! Ele tinha espírito humilde e simples, sim, mas também se expressava de maneira crítica e oferecia liberdade. Não estava nem aí para os ricos, os soberbos, os religiosos hipócritas, os arrogantes,... não estava nem aí para os poderosos. Foi amigo dos pobres, dos fracos, dos oprimidos, dos pecadores, dos imperfeitos, ao mesmo tempo em que viveu e pregou um padrão ético que ninguém pode atingir. Nos transmitiu o elevado ideal de Deus, muito, muito superior a nossa triste realidade, a realidade da imperfeição.

Muitos de nós já experimentamos uma grande frustração por tentar deseperadamente seguir esses ideais. Mas não precisamos nos sentir indignos porque não podemos alcançar a perfeição. Jesus nos desafia a avançar na direção desses ideais, mas não nos julga, nem nos condena por não alcançá-los, em vez disso Ele nos oferece graça. Jesus perdoa ladrões, adúlteros, mentirosos, oferecendo sua graça a todos os que se reconhecem necessitados, os que não conseguem realizar nada por si mesmos.

A caminhada rumo aos padrões de Deus não signigfica o reinado do legalismo. Jesus não afasta os imperfeitos.

"Jesus transferiu a ênfase da santidade de Deus (excludente) para a misericórdia de Deus (inclusiva)." (Yancey, 2000, p.167).

Sejamos todos confortados pela realidade da graça, e sejamos inspirados pelos Evangelhos a agir como Jesus conosco mesmos e com os outros.